terça-feira, 6 de dezembro de 2016

I Seminário Latino Americano “Práticas Pedagógicas na Educação Infantil: Reflexões sobre o exercício da docência com bebês e crianças pequenas"



 Esta é a síntese das apresentações do I Seminário Latino Americano “Práticas Pedagógicas na Educação Infantil: Reflexões sobre o exercício da docência com bebês e crianças pequenas” ressaltando que se trata da maneira como expectadora, recebi as informações, inferi, interpretei e narro de maneira que possa contribuir com reflexões futuras a quem participou e assim este ou esta possa contrapor com novas interpretações bem como quem não teve o privilégio de participar do seminário, possa ter uma breve ideia deste incrível encontro em que os grandes pensadores da Educação Infantil se reuniram para explanar seus estudos, pesquisas e práticas com foco na docência com bebês e crianças pequenas.


Rita de Cássia Freitas Coelho 

Rita Coelho inicia sua fala com apontamentos sobre as mudanças legais do Brasil que podem afetar diretamente as demandas sociais e educacionais de nosso país. E apresenta a diferença entre “Educação Infantil” e “Políticas Públicas para a Primeira Infância” que podem confundir pela similaridade, mas as diferenças interferem de imediato ao atendimento aos bebês e crianças bem pequenas, sendo no âmbito institucionalizado (escolas/ CEIs) ou no âmbito social, de saúde e de desenvolvimento.
No caso do Brasil, um programa com o viés dessas duas modalidades foi o “Brasil Carinhoso”, que atendeu preferencialmente, as famílias com maior vulnerabilidade. Porém, a proposta federal da atualidade optou pela descontinuidade de suas ações.
Rita Coelho levanta a polêmica da judicialização da “idade” da infância, que dependendo do contexto, pode ser interpretado de diferentes maneiras.
Com relação á identidade do professor da Primeira Infância, questiona o porquê de este segmento possuir sindicato próprio, piso salarial inferior e diferenças no plano de carreira. Pois podem dificultar o entendimento da sociedade e a legitimidade de sua docência.
Traz a baila o processo de reflexão/ construção da Base Nacional Comum que vinha sendo pensada de forma democrática, visando a não fragmentação do conhecimento por áreas e/ou campos já que se entende que as crianças aprendem de forma integrada. Mas, que este processo de construção democrática foi também interrompido pelo governo atual.
Fecha a fala apontando outro desafio: o Brasil tem excelentes exemplos de práticas, mas são pontuais, não há um padrão de qualidade de atendimento da Educação Infantil.
“Diminuir recurso para a Educação dificulta, mas não podemos perder a concepção integradora do currículo”.



Irene Balaguer (Espanha)
Contextualizando a Educação infantil Espanhola, Irene Balaguer retoma a década de 1960 em que o governo fascista não deitou importância sobre a Primeira Infância, mas que com a entrada da mulher no mercado de trabalho, instituições perceberam que poderiam ganhar dinheiro com serviços de “guarderia”. Mas, como sempre há quem pense democraticamente, coletivos de pais e professores se uniram em sistema de cooperativa e criaram “escuelas infantis”. Agora já com nome de escola. O interessante nessas escolas infantis, é que mesmo sem ter base teórica consolidada, sua concepção se aproximava muito do método Montessoriano.
Na década de 1970, este caráter revolucionário ganha corpo e busca-se o direito estatal á Educação infantil, ao mesmo tempo que na concepção se entende que todos os envolvidos nas “escuelas” são educadores, que toda prática nestes espaços(alimentação, higiene, brincadeiras, relações,...) são consideradas pedagógicas e que as decisões devem se dar democraticamente.
Para que esse debate reflexivo seja fundamentado buscando uma Educação de qualidade, faz-se necessária a formação continuada de toda a equipe. Esta se deu inicialmente com auto- formação, seguida de debates. O processo político pedagógico na perspectiva da democracia requer a luta de todos. E em julho de 1975, foi aprovada, na Catalunha a “Declaração para uma Nova Política Educacional”.  
Conta que no “Instituto Rosa Sensat” criou-se um projeto programático para “mudar a realidade” visando autonomia de “los niños” e a valorização das interações afetivas entre adultos e crianças. E que para isto, aprofundaram os estudos sobre o método de Maria Montessori, por entenderem os bebês e crianças como seres potentes, capazes e pesquisadores.
Diz, “A Pedagogia acompanha a luta. Fomos ingênuos em pensar que a Democracia duraria para sempre. Terminamos o século muito bem, visando o progresso e hoje nos encontramos no retrocesso. Se a população não sabe o que é uma Educação Infantil de qualidade, não pode reclamar por ela. Não se busca o que não se conhece”.






Marien Peggy Martinez Stark (Paraguai)

Marien aponta que existe na América Latina diversos programas educacionais para a I Infância, mas não há uma integração entre eles. Bem como não há integração entre as secretarias (Saúde, Desenvolvimento Social, Educação,...). E que cada um com seus recursos, atendem suas demandas fragmentadamente, não atendendo ao todo, não avançando assim em qualidade de atendimento á I Infância.
Aponta desafios:

  •    Maior visibilidade da infância
  •  Articulação intersetorial;
  •    Desenvolvimento de Marcos Curriculares numa dimensão intercultural e bilíngue;
  •   Foco no público mais vulnerável;
  •    Formação de professores com foco no atendimento de 0 a 3 anos de idade;
  • Acompanhamento às famílias;
  •  Foco na potência do sujeito e não no que lhe falta.


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Vital Didonet           

                Aponta o Marco Legal da Primeira Infância - brasileiros estudando em Harvard, pensando no diálogo entre os diferentes setores da sociedade civil e governo. Conta que cinco ministérios do Brasil se reuniram em diversos seminários e debates para refletirem sobre o Plano Nacional para a Primeira Infância. Para o projeto, seguiram o princípio da articulação das dimensões Ética, Humanística e Política. Uma intersetorialidade pela visão holística da criança.
Fecha a fala ressaltando a constituição do sujeito. Diz: “Quem é você? O que eu posso ser contigo?”.




 


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      Ana Estela Haddad


                A Primeira-Dama da Cidade de São Paulo traz um breve panorama do Programa São Paulo Carinhosa que vinculada ao Plano de Governo para a cidade de 2013 a 2016 que prevê projetos de “ocupação” dos espaços públicos visando maior interação entre as pessoas, o coletivo em detrimento ao individual e o desenvolvimento urbano pensado em benefício das crianças.  
                Um dos projetos do Programa São Paulo Carinhosa, é o “Parques Sonoros”, que contratou músicos especialistas para darem formação ás escolas participantes para que montem com os bebês e crianças possibilidades de pesquisas de sons, ressignificando os espaços dos parques das unidades. Comentou dos relatos significativos que alcançaram diferentes territórios e como cada contexto construiu um conceito diferente para definir/ explicar os parques sonoros.


                
        Sônia Larrubia Valverde 




A Professora Sônia, que comandou a Educação Infantil Paulistana nesta gestão inicia a fala ressaltando o aumento do número de vagas para os bebês e crianças da cidade que ultrapassou as metas lembrando que se trata de um Direito a TODAS as crianças. Para tal retoma a concepção de criança do Parecer CEB 022/98, os Princípios da Pedagogia da Infância e a Normativa 01/2013 que trata da Unidade de Educação Infantil como: 


(...) um oásis, um lugar onde se torna criança, onde não se trabalha, onde se pode crescer, sem deixar de ser criança, onde se descobre (e se conhece) o mundo através do brincar, das relações mais variadas com o ambiente, com os objetos e as pessoas, principalmente entre elas: as crianças. (FARIA, 2003)



Ressalta também o marco pedagógico e político dessa gestão que é o Princípio da Gestão Democrática na perspectiva da participação negociada. Aponta a Avaliação Institucional pelos Indicadores de Qualidade e apresenta os diferentes documentos produzidos coletiva e democraticamente pela Rede nesse período.



Maria Malta




               

A professora Maria Malta e a pesquisadora Bruna Ribeiro trazem para o seminário o processo de construção do documento “Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana” que teve como inspiração primeira os “Critérios para um Atendimento em Creches que Respeite os Direitos Fundamentais das Crianças” do MEC que por sua vez se inspirou no movimento de mulheres da Espanha que em seu contexto histórico, e social, discutiam seu papel não só no mercado de trabalho como na sociedade civil e como essa militância levou ás reflexões sobre os Direitos dos bebes e crianças a um sistema de “guarderia” de qualidade.
Apresentaram uma síntese prático-metodológica da aplicação do “indique” da cidade, e apontaram o amadurecimento da Rede na concepção de auto avaliação que o documento propõe.