quinta-feira, 12 de maio de 2016

Reflexões sobre o exercício da docência com os bebês

PAUTA DO 2º ENCONTRO 



"Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade do que não fui. Acho que o que faço agora é o que não pude fazer na infância. Faço outro tipo de peraltagem.
Quando era criança eu deveria pular muro do vizinho para catar goiaba. Mas não havia vizinho. Em vez de peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto.
Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos.  Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação.
Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão: de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore.  Então eu trago das minhas raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua vem de eu ter sido criança em algum lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela. Era o menino e os bichinhos.
Era o menino e o sol. O menino e o rio. Era o menino e as árvores."

(In: Memórias Inventadas de Manuel de Barros. São Paulo: Planeta, 2003)

1º momento    Discussão e socialização dos registros em subgrupos.
2º momento   A especificidade da docência com bebês e crianças pequenas: dialogando com a Experiência de Emmi Pikler e Abordagem de Reggio Emilia.

Café

3º Momento: Os movimentos livres como fundamento de uma verdadeira autonomia

Resultado de imagem para bebe Emmi Pikler

“ A atividade autônoma, escolhida e realizada pela criança – atividade originada de seu próprio desejo – é uma necessidade fundamental do ser humano desde seu nascimento. A motricidade em liberdade (segundo Pikler) e um ambiente rico e adequado que corresponda ao nível dessa atividade são as duas condições sine qua non da satisfação dessa necessidade.”
(Tardos e Szanto, 2004, p.46) 

 4º Momento:  Documentação pedagógica: a observação, a escuta e o registro como ferramentas que permitem compreender quem são, o que sabem e fazem os bebês e as crianças pequenas, assim como refletir sobre as práticas educativas cotidianas.

Para o Terceiro Encontro:

Durante a semana observe e fotografe  as crianças em seus movimentos livres. Selecione uma sequência de imagens (três fotos) que você  considere significativas. Identifique o contexto  (espaço, tempo, os materiais disponibilizados...) do momento registrado. Analise as imagens tomando como referência os Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana  e o texto indicado para leitura. Escreva suas reflexões, imprima as fotos em papel fotográfico e traga ambos no próximo encontro.


Agenda Cultural
Exposição: “Histórias da Infância”
Local: Masp – Av. Paulistas (metrô Trianon/Masp – linha verde)
Quando: até final de julho


Indicação de Leitura:
FALK, J.(org). Educar os três primeiros anos. Araraquara: JM Editora, 2004.
(TARDOS, A. e SZANTO-FEDER, A. O que é autonomia na primeira infância?)
MELLO, S.A. Os bebês como sujeitos no cuidado e na educação na escola infantil. Revista Magistério/PMSP, n. 3. Ano 2014.

Nenhum comentário:

Postar um comentário