quinta-feira, 9 de junho de 2016

Síntese dos encontros: Trabalho Autoral

Síntese  dos encontros: Trabalho Autoral

1. Discutir a lógica subjacente ao trabalho autoral;
2. Identificar elementos constitutivos dos trabalhos desenvolvidos por CEIs, EMEIs e EMEFs, que os definem como autorias;
3. Compor com os gestores possibilidades de processos formativos, que num isomorfismo, encorajem os professores ao exercício da autoria em crianças e jovens.

Discutimos a autoria nos seguintes termos:
  •  O compromisso com a autoria das crianças e dos jovens não deve restringir-se a um tempo escolar, mas deve atravessar todas as vivências no decorrer de toda a educação básica, do berçário ao ensino médio.
  • Não se dá a autoria a ninguém, posto ser uma construção do indivíduo, tal como o é a autonomia. O papel dos adultos envolvidos com a prática educativa (professores, gestores, outras pessoas da equipe, família) é o de prover circunstâncias propícias para que as crianças e jovens possam experienciar a condição autoral em tudo que produzem.
  •  A autoria tem a ver com a observação do cotidiano, com a investigação de possibilidades de transformação do que está dado, do que está instituído. Ser autor é vislumbrar a possibilidade de olhar as coisas dadas de um modo diferente, oferecendo alternativas de análise de fatos, fenômenos. A autoria guarda estreita correspondência com a inquirição e, por conseguinte, com o ato reflexivo.
  • De forma homóloga, os adultos que trabalham com crianças e jovens precisam experimentar intensamente a possibilidade autoral em seu trabalho. Portanto, os processos formativos devem prover, igualmente, circunstâncias propícias ao exercício da autoria. Assim, quanto mais nos aproximarmos de momentos de formação que tematizam o pensar e o fazer dos práticos (todos os que estão implicados com a prática educativa, direta ou indiretamente) mais estaremos próximos de constituir uma compreensão de como podemos garantir situações interessantes às crianças e aos jovens serem percorridos em uma pesquisa, em um projeto das crianças e dos jovens, desde a eleição de um tema, passando pela constituição de um quadro teórico-metodológico e de uma avaliação. “Aprisionamos” as possibilidades autorais das crianças e dos jovens porque também estamos aprisionados a formas definidas de pensarmos e fazermos as coisas. Como promovermos autores se não experimentamos em nossa prática a condição de sermos autores? Daí, a perversidade, por exemplo, de “promessas de modelos de práticas”, de “sistemas de ensino”, que subtraem de nós as oportunidades de sermos autores em nossa própria profissão.
  • A autoria não está necessariamente estampada na produção final de um trabalho. Encontramos a autoria no trajeto percorrido. Sem desconsiderar a importância do produto de algo que desenvolvemos, é preciso compreender que encontramos o autor nas opções que faz, nas decisões que toma ao longo de uma trajetória de produção. Assim, por exemplo, o produto final de um Trabalho Colaborativo Autoral dos jovens na EMEF ou os tais chamados “portfólios” de projetos das crianças na educação infantil, é realmente de caráter apoteótico. O que está em jogo, definitivamente, e o que deveria nos interessar, do ponto de vista educativo, são as indagações que fizeram, as dificuldades que tiveram, as opções de solução de problemas que consideraram, as dúvidas que permaneceram, as satisfações e insatisfações que viveram. Homologamente, é o que deve nos interessar quando pensamos práticas formativas junto aos professores e à equipe da unidade.
  • A autoria implica ineditismo no tratamento das coisas. Mas esse ineditismo deve ser compreendido como “ineditismo para mim”. Algo que experimento como novo para mim. Está num plano do que Bruner designa de criação de novos significados, a criação de sentido para mim.
  • A autoria não deve estar submetida exatamente aos critérios únicos de “certo” ou “errado”, posto que o erro na busca de novos caminhos tem uma outra significação que não a de negatividade, correntemente, impressa ao conceito de erro. É nessa condição de “busca pelo autor’, que nos defrontamos com a importância da escuta, da observação e da necessidade de registros de nossas próprias práticas, é o fato de não conseguirem avançar em seu trabalho (e, por vezes, não terem suporte para tal).
Algumas questões foram pontuadas pelo grupo como condições limitadoras da autoria nas unidades educacionais:
  • Uma dada lógica que emana de uma “arquitetura social” que convida as pessoas a “assistirem” e não a inovarem. Nesse sentido é importante considerar que a inovação implica, antes de tudo, uma mudança de cultura e a necessidade de mudar a cultura é difícil de despertar na equipe. Competem, neste particular, questões ligadas à formação profissional, que deveria providenciar um dado discernimento do que representa estar na profissão docente.
  • Em aproximação ao ponto anterior, há circunstâncias em que os professores não se apercebem da necessidade de mudar, de experimentar práticas. Por vezes, “o professor acha que tudo bem”.
  • Uma possível razão pela qual os professores recuam e voltam às práticas consagradas e aos conteúdos específicos de sua “disciplina” ou aos moldes de atividades, constantes em suaspráticas, é o fato de não conseguirem avançar em seu trabalho (e, por vezes, não terem suporte para tal).
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